Entrevista de Quinta: Bob Sousa e Miguel Arcanjo

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Parceiros na cobertura teatral: Bob Sousa e Miguel Arcanjo Prado – Foto: Daniela Sousa

O ano de 2012 foi de muitas novidades teatrais aqui no Atores & Bastidores do R7.

Sucesso, o blog mantém média mensal sempre superior a 100 mil páginas vistas. O que faz dele uma das principais páginas de teatro no Brasil.

Se as reportagens, críticas e notas sobre os palcos escritas pelo jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado logo caem na boca de artistas e público, as imagens do fotógrafo Bob Sousa trazem beleza e poesia ao blog, traduzindo em imagens o mundo teatral contemporâneo.

Em 2013, os dois prometem mais trabalho. Como se não bastasse, estarão ambos envolvidos com seus estudos de pós-graduação.

Enquanto Bob começa um mestrado cujo tema é sua reconhecida pesquisa fotográfica teatral no Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Arcanjo vai estudar a cobertura teatral na internet brasileira, em sua especialização na Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo).

Nesta primeira Entrevista de Quinta de 2013, o blog abre espaço aos dois amigos, para que você, nosso internauta, conheça um pouco melhor quem faz esta página.

Leia com toda calma do mundo:

R7 – Por que vocês batalham tanto pelo teatro?  
Bob Sousa – Sempre tive muito interesse pela arte teatral. Essa vontade de conhecer e estar no meio, aliada a minha outra paixão, a fotografia, me fizeram manter essa dedicação pela manutenção da história visual dos espetáculos. Penso que a minha maior contribuição ao teatro está nessa manutenção da memória teatral.
Miguel Arcanjo Prado – Para falar a verdade, nem eu sei essa resposta. Tem coisa que a gente faz sem saber por quê. Talvez porque precise, sem explicação. Eu realmente gosto do teatro. Acredito nesta arte. E tenho prazer em unir o jornalismo, profissão que amo, a esta arte que tanto mexe comigo desde que me entendo por gente. Agora, uma resposta clara do porquê, isso eu não tenho. Talvez porque sejamos loucos [risos].

R7 – Bob, você este ano foi indicado ao Prêmio CPT, um grande reconhecimento ao seu trabalho. E o Miguel entrou para a APCA. Como lidam com essas novidades? 
Bob Sousa – Sucesso e reconhecimento são duas coisas diferentes. O sucesso é para os atores e diretores. Nós somos da técnica, dos bastidores. Acho que esse reconhecimento é o resultado de muito trabalho. Um sacerdócio. Uma militância. O teatro precisa dessa dedicação. É uma arte que precisa se renovar para se manter viva em meio a tantas modernidades. A memória e a divulgação da arte teatral precisam estar sempre vivas. Fiquei muito feliz com a chegada no Miguel a APCA. Ele traz um frescor, um encantamento e a pegada do jornalismo, sua marca principal. A minha indicação foi um presente. Nunca esperei por tamanho reconhecimento.
Miguel Arcanjo Prado – Olha, o Bob podia não esperar a indicação dele ao CPT, mas eu esperava que ele fosse indicado. Poxa, ele faz um trabalho extraordinário de cobertura fotográfica do meio teatral. Nada mais justo que uma entidade ligada de verdade ao teatro reconhecesse isso com uma indicação. Fiquei feliz demais, porque ele merece. Agora, para mim o teatro ganhou força integral neste último ano. Metade de minha carreira no jornalismo, que já vai completar dez anos em 2013, eu trabalhei com o mundo da TV e das celebridades. Mas, sempre em paralelo, fiz a cobertura teatral por todos os veículos onde passei: Globo Minas, Contigo, Folha Online, Agora São Paulo e aqui no R7. O reconhecimento dá alegria, sim. Mas acho que essas coisas, de eu entrar para a APCA e o Bob ser indicado ao CPT são reflexos naturais de um árduo trabalho de formiguinha que fazemos em prol da divulgação e da documentação do teatro de nosso tempo.

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Bob Sousa e Miguel Arcanjo Prado: trabalho árduo na cobertura dos palcos – Foto: Daniela sousa

R7 – Como vocês ficaram amigos e se tornaram parceiros na cobertura teatral?
Bob Sousa – Tenho me esforçado pra conseguir o maior número de “registros” das pessoas que fazem o teatro paulistano. Esse projeto, o “Retratos do Teatro”, já existe há uns três anos e vai se tornar um livro. Sempre acompanhei o trabalho do Miguel e achei que ele deveria estar na minha galeria, pela importância da sua cobertura ao teatro. Mais do que o simples convite, surgiu a empatia e a possibilidade de contribuir com o blog. Hoje somos parceiros e temos nos esforçado pra contar parte dessa história. Aprendo muito com o Miguel e estamos criando uma bela amizade com direito a festas e churrascos [risos].
Miguel Arcanjo Prado – Esta é a melhor parte [risos]… Sou fã das fotos do Bob desde que recebi as imagens de divulgação do espetáculo Luis Antônio – Gabriela. Foi quando passei a prestar mais atenção ao trabalho dele. Vi que ele tinha um jeito diferente e sensível de fotografar. Foi isso mesmo que ele contou: um dia ele me ligou, dizendo que estava fotografando jornalistas que cobriam o teatro e que queria fazer uma foto minha. Aproveitei a oportunidade para tentar estabelecer uma parceria, porque ter as fotos do Bob seria um luxo incomensurável. Nos encontramos e foi amor profissional à primeira vista [risos]. Eu entendo o Bob e ele me entende. É uma grande parceria. E isso é fundamental para o sucesso: seja na música, no futebol, no teatro ou no jornalismo. E o mais louco é que não fizemos a tal foto até hoje. Porque nossa obsessão sempre foi cobrir o teatro e nunca sobrou tempo para a gente [risos].

R7 – Quantas peças vocês assistem por semana? 
Bob Sousa – Fotografo em média três espetáculos por semana. Sempre encarei meu trabalho como a construção de um acervo e tento acompanhar o maior número de trabalhos e pesquisas dos grupos paulistanos. Com o início de mestrado neste ano esse número deve aumentar.
Miguel Arcanjo Prado – Isso varia. Em festivais, como o Mirada, o FIT-BH e o Festival de Curitiba, posso ver até quatro, cinco peças por dia. O que é uma loucura! Já quando estou em São Paulo, pode ter semana que vejo três espetáculos, em outra vejo dois, em outra, mais raras, um. Porque tem hora que cansa e você não fica tão receptivo quanto deveria. Aí costumo dar um tempo, para descansar a cabeça. Porque as peças também precisam ser decantadas. Tem umas que vejo, dou um tempo tão grande para decantá-las que, quando vou ver, já saíram do cartaz e não escrevi a crítica. Fico muito triste quando isso acontece. É difícil ser crítico, porque tem a pressão do tempo. Ainda mais atualmente, quando as peças ficam tão pouco tempo em cartaz. Então, tenho de lidar com isso. Com a pressão para escrever e também com a pressão dos artistas para que vejamos seus espetáculos.

R7 – E como vocês dão conta de tanta demanda?
Bob Sousa – É muito difícil atender a toda a demanda da cidade de São Paulo. É preciso estabelecer alguns critérios e ter muita força de vontade. Quando não consigo fotografar algum espetáculo, tento fazer um retrato de algum integrante para registrar aquela obra, aquele momento na vida do artista.
Miguel Arcanjo Prado – A resposta é simples. Não damos conta, infelizmente. Mas, como somos loucos, tentamos!

R7 – Qual o balanço que vocês fazem de 2012 do teatro?
Bob Sousa – Foi um grande ano. Fiquei muito feliz com a ocupação do Grupo Cemitério de Automóveis, do Mário Bortolotto, em um teatro da rua Augusta. O trabalho incrível do Club Noir, de Roberto Alvim e Juliana Galdino, com a montagem das Sete Tragédias, a vasta produção do Núcleo Experimental, de Zé Henrique de Paula, a Mostra de Teatro Olho da Rua, em Santos, a ocupação do Teatro de Arena com a mostra dos 100 anos de Nelson Rodrigues e o fôlego sem fim do Teatro Oficina e do CPT Antunes Filho, só pra citar alguns grupos.
Miguel Arcanjo Prado – Acho que foi um ano excelente. Teve coisa pra caramba! De peças globais a experimentais [risos]. Concordo com tudo que o Bob falou. Vimos muita gente boa esse ano, né, Bob? Mas, como ele já citou, eu prefiro nem citar mais, para ninguém ficar magoado [risos]. A cena paulistana é um deslumbre de boa. E ainda há coisa boa também no Rio, em Recife, como o Magiluth, em Belo Horizonte, como os meninos da Luna Lunera e os do Espanca!, da minha companheirinha de UFMG Grace Passô… Mas São Paulo é a Meca do Teatro. Faz um dos melhores do mundo. Tem muita gente boa nesta cidade. E, infelizmente, muitos deles não conseguem espaço na mídia. Esse blog é um dos poucos espaços na grande mídia para uma cobertura teatral de qualidade. E isso nos dá um baita orgulho!

R7 – O que vocês esperam para 2013? 
Bob Sousa – Vai ser um ano de muito trabalho. O livro Retratos do Teatro vai nascer ao lado de uma grande exposição e o desafio da pesquisa de mestrado deve nortear esse ano. Também estou muito ansioso para conhecer os trabalhos dos grupos que conseguiram o apoio da Lei de Fomento ao Teatro. O Miguel que se prepare para tanto trabalho. O blog se tornou um dos principais meios de divulgação do trabalho dos grupos e é preciso estar “atento e forte”.
Miguel Arcanjo Prado – “Não temos tempo de temer a morte!” É isso mesmo, Bob. Eu espero termos muita saúde para dar conta desse trabalho todo e de nossos estudos, uai. Ainda não posso contar tudo, mas vem coisa bacana por aí aqui no blog!

R7 – Qual a maior alegria que vocês tiveram em 2012 com a cobertura teatral? 
Bob Sousa – Foi um ano de amadurecimento. Da minha carreira e do espaço que o Miguel “cavou” para a divulgação do teatro. E tem a alegria de trabalhar com um cara sincero e humano, que faz o que gosta e se dedica bastante, assim como eu. Acho que esse ano marca o início de um longo caminho. “A engrenagem do mundo mudou…” foi a frase que ouvi quando conheci o Miguel e acho que nós fazemos parte dessas novas engrenagens. Agora é fazer girar.
Miguel Arcanjo Prado – Acho que foi o retorno que tivemos de nosso trabalho. O blog não tem nem um ano de vida, que vai ser completado só em março de 2013, mas já tem audiência mensal que costuma ultrapassar 150 mil páginas vistas. Isso faz do Atores & Bastidores uma das principais páginas de teatro do País. Ele é prova que há um público sedento por teatro e por uma cobertura jornalística de qualidade sobre esta arte. Termos conquistado o respeito e o carinho desse público é a maior alegria para nós dois.

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